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Entrevista: Tico Santa Cruz fala sobre a arte nos dias de hoje e show no RIR 2019

Setembro 26, 2019
Autor / Fonte: Super Transado


Entrevista: Tico Santa Cruz fala sobre a arte nos dias de hoje e show no RIR 2019

Com mais de 20 anos de carreira, Detonautas Rock Clube segue fortemente em cena no cenário musical, em alta no mercado fonográfico, a banda é atração confirmada na edição de 2019 do Rock In Rio, onde dividem o Palco Sunset em um encontro inédito com o Pavilhão 9.

Aproveitamos a oportunidade e batemos um papo com o vocalista Tico Santa Cruz, conversamos sobre o encontro na cidade do rock e também sobre os recentes projetos, como o álbum de estúdio “VI” (lançado em 2017), onde se aventuram em dividir os vocais com artistas de gêneros diferentes ao rock, como Alcione e Lucas Lucco e também sobre a recente faixa “Ilumina o Mundo” em parceria com o rapper Pelé MilFlows, onde abordam a temática da valorização da vida.

Confira a entrevista abaixo: 

 

ST)- Nos últimos anos vocês apresentaram parcerias com Alcione e Lucas Lucco. Podemos esperar que esta mistura de gêneros seguisse com a banda nos próximos trabalhos?

Tico - A gente fez essas misturas nos últimos discos, não só com a Alcione e Lucas Lucco, mas também com Leoni. No nosso último single, a gente misturou com o Pelé MilFlows e acho que é uma tendência forte para poder de alguma maneira oxigenar a banda, através de outros artistas, mas sempre no universo do Detonautas. Não sei como será no próximo trabalho, mas estamos sempre abertos a receber outros artistas, poder somar forças e trocar estas experiências que são muito importantes.

A canção “Ilumina o Mundo”, em parceria com Pelé MilFlows, busca chamar atenção para o tema da valorização da vida. Comente sobre, por favor?

Tico - É uma música que foi feita junto com o DJ WAO e queríamos colocar um rapper para fazer uma passagem mais vinculada com essa linguagem. A questão de abordar o tema de prevenção ao suicídio foi o fato de que durante a gravação eu passei por um episódio onde uma pessoa que eu conhecia estava passando por um momento difícil e acabou se desenrolando que a gente fazer uma reflexão a respeito de quantas pessoas próximas ou não poderiam estar passando por momentos de dificuldades e que precisam de ajuda. A gente entendeu que talvez pudéssemos usar esta canção para abordar a questão da prevenção ao suicídio e da saúde mental, popularizando ainda mais o numero 188, que nos ajudou a construir a narrativa de forma adequada para o videoclipe.

O que vocês estão preparando para este encontro inédito com o Pavilhão 9 no Rock In Rio?

Tico - Estamos fazendo essa parceria com o Pavilhão a convite do Zé Ricardo, que é curador do palco Sunset. A expectativa é grande, o Pavilhão também mistura rock com rap e tem um discurso interessante, nós acreditamos que isso soma forças.  Uma abordagem da linguagem do Detonautas, que é fazer rock, com a do Pavilhão, que além da verbal tem a cênica, é muito interessante.

O Rock In Rio tem um publico muito diversificado e este ano está dando espaço ao Funk Brasileiro. Em sua opinião, por que ainda há muito preconceito com o gênero?

Tico - O Brasil é um país de diversidade cultural, as pessoas tem que começar a entender que cultura não só aquilo que a gente gosta. É qualquer forma de manifestação de um povo, uma comunidade, alguma organização social, todos tem o direito de se expressar. As favelas se expressam através do funk e do rap, é a linguagem que eles encontraram. Eu acho que o Rock in Rio é um festival que transcende essa questão de gêneros, sempre foi assim desde a primeira edição sempre teve diversidade.

Vai ser uma experiência muito interessante, por exemplo, não só pelo Espaço Favela, que é onde tem alguns artistas que estão lutando por seus espaços, mas também a Orquestra misturada com funk, pelo que assiste acho que pode ser uma grande sacada e uma maneira muito interessante de quebrar este preconceito.

Na última semana o Milton Nascimento falou em uma entrevista que a música brasileira “está uma merda”. Você concorda?

Tico - Eu admiro bastante a obra do Milton, acho que ele é um artista fundamental e ele tem direito de opinião. Eu acho que a musica brasileira tem um conteúdo popular e linguagem que o povo entende. Eles exploram uma linguagem que é mais fácil, que é mais rasa do ponto de vista poético. Eu aprendi a respeitar, já fui muito critico e hoje simplesmente se não gosto, ignoro.

O momento tenebroso em que vive o país te inspira em compor, mesmo sendo em protesto?

Tico - Acho que o Brasil passa por um momento difícil, mas é um momento importante. São com estes acontecimentos que a gente aprende então essa experiência que estamos vivendo no país é para que muita gente aprenda suas responsabilidades na hora de fazer certas escolhas. Eu como um artista que sempre abordei a questão política nas minhas musicas vou continuar abordando, talvez de outras maneiras.

Em todos os discos do Detonautas tem canções de protesto, algumas talvez mais pesadas e outras sutis. Eu acho que é parte do trabalho de um artista fazer uma crônica, um olhar, do que está acontecendo na sociedade e certamente inspiração para fazer musica não vai faltar.

 

Entrevista por Paulo Corrêa.

Imagem: Fabiano Santos


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