Super Transado
Se acontece, está aqui

Entrevista - Guto Goffi fala sobre seu novo álbum solo e o momento do Rock Nacional

Fevereiro 06, 2020
Autor / Fonte: Super Transado


Entrevista - Guto Goffi fala sobre seu novo álbum solo e o momento do Rock Nacional

Guto Goffi, fundador e baterista do Barão Vermelho está lançando seu terceiro álbum solo, intitulado “C.A.O.S”.

O projeto começou a ser pensado a partir de material fotográfico feito pelo artista há aproximadamente 15 anos. Com ilustrações coloridas, e que distorcem o cotidiano e o real em outros pensamentos.

Após lançar ALIMENTAR em 2011 e BEM em 2016, o artista vem cumprindo a promessa de gravar um disco para cada letra do alfabeto brasileiro. Com o C.A.O.S. finalizado, a intenção é cair na estrada para provar disso tudo ao vivo. Os shows de lançamento nas capitais terão a participação de um artista plástico local, expondo as suas telas, penduradas, atrás do palco. Fazendo com que os shows tenham cenários diferentes em cada cidade.

Ouça aqui em Spotify e Deezer.

 

Confira a entrevista com Guto Goffi:  

 

ST)-  Segundo sua assessoria de imprensa, você decidiu lançar um álbum para cada letra do alfabeto. De onde surgiu está ideia inusitada?

Guto - Olha de certa forma isso é uma compulsão criativa minha, mas sei que é um exagero!
Já tenho dois álbuns muito bem encaminhados para lançar na sequência. Um deles com o meu grupo instrumental BICHO DE PAU, um trio que faz uma música diferente, quem quiser dar uma escutada, temos um videoclipe no YouTube, Bicho de Pau, Not ordinary, o nome da música. E tenho outro disco gravado com dois amigos e reis dos tambores brasileiros, Robertinho Silva e Laudir de Oliveira, falecido há dois anos, e que graças a minha intuição consegui registrar nossas músicas antes de sua partida. O disco é lindo e gostaria de lançar ele nos meus 60 anos e 80 do Robertinho Silva, aí podemos programar shows com antecedência e viajar pra muitos lugares. Aí já estaremos na letra “E”, rs...


ST)-  Em 'C.A.O.S.', você conta com ajuda de Maurício, Fernando e Rodrigo nas canções "Cérebros e Cabeças", "A Travessia" e "Na Hora de Rezar".
Por que estas músicas acabaram entrando em sua discografia solo e não na do Barão?

Guto - O Barão Vermelho tem as suas escolhas, disponibilizei estas canções pro grupo também, mas não foram as escolhidas entre as 9 do VIVA. Em meu trabalho solo tenho a liberdade de ter rocks, bossas, boleros, tangos, latino, e tantas outras sonoridades e tipos de música que também curto, por isso tenho um trabalho paralelo ao Barão Vermelho e super diferente.

 

ST)-  Qual canção de 'C.A.O.S.' representaria o Guto Goffi de hoje?

Guto - O Decassílablues pela maturidade e irreverência.

Na hora de rezar pela espiritualidade e compreensão da fé.
Cérebros e Cabeças por minha cabeça feita.
A queda pela crítica social e pela música desalinhada a qualquer formato já consagrado ou estabelecido.
Mais perfeito por não desistir do amor nunca na minha vida.
Mais Feliz por minha capacidade de homenagear pessoas com músicas.
Mil Nadas por meu lado tropicalista, desbundado e inovador, minha herança Caetânica está ali, inventando palavras e  plurais A travessia é meu lado trovador, sou Bob Dylan as vezes quando Deus permite...
Búfalos e Leões é meu lado generoso de deixar outras coisas boas aparecerem, essa letra não é minha, é do poeta Xambu, mas amo ela como as minhas...
E no Samba do Adeus está ao meu lado Noel Rosa, fã de Martinho da Vila, é o Guto Goffi suburbano, da Silva Teles, no bairro do Andaraí Esse disco sou todo eu, são as minhas verdades mesmo.


ST)-  Assim como nos dois últimos álbuns, você e o Bando do Bem procuram novas experiências e entregam 'uma nova sonoridade'. Fale um pouco sobre o processo de gravação e como vocês chegam nestes elementos, como a Sitar em "Cérebros e Cabeças".

Guto - Olha tenho uma intimidade com os meus músicos absurda. Quero que a minha música soe intensa e criativa. Não curto zona de conforto na arte, quero desafios, caminhos novos e encontrei esse povo que me segue, acredita nas minhas composições e as defende como ninguém, o Bruno Mendes que é um cantor jovem, tem 28 anos e uma beleza e expressão corporal incrível nos shows, o Markus Britto, meu baixista e diretor musical, o irmão do Peninha, César Brunet na percussão, temos uma linguagem única trabalhando juntos, ainda tenho dois guitarristas ótimos, o Elir Filho que começou comigo fazendo vídeos e hoje está na banda. E  por último o Nani Dias, que produziu o álbum e trouxe muita inovação pro nosso som e ficou na banda, fará toda a turnê do C.A.O.S.


ST)-  Como você tem visto o Rock atualmente? Você vê algo novo surgindo para manter o gênero nas rádios, por exemplo?

Guto - As rádios são espaços disponíveis a propagandas e divulgações, qualquer estilo musical tem lugar nas rádios, basta você gastar ali. Ninguém vai tocar a minha música no rádio por que ouviu e achou bonita, infelizmente essa é a real.


ST)-  Você faz parte de uma geração que lutou contra a ditadura. Na situação que se encontra o país, você teme o retorno deste período sombrio?

Guto - Já consigo enxergá-lo sim. O mundo está num movimento retrógrado e os imbecis vieram com tudo para tentarem determinar o que pensam ser o certo. Acho um perigo essa mistura de política e religião, eles estão se agarrando no poder com o voto das igrejas evangélicas. Mas o que penso pra mim é que não deveríamos ter religião, você pode ter fé e ir direto à Deus, sem esses pedágios da fé, que são os padres, pastores, país de santo, etc... esses homens tinham que estar na rua, alimentando e cuidando dos mais fragilizados, essa seria a religião perfeita, mas essa perfeição, quem se diz religioso,, não quer, eles querem dinheiro e poder somente, pra desfrutar da miséria e ignorância alheia.

 

Entrevista por Paulo Correa. 


Mais Fotos